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Luciana Genro ao lado dos professores em Guarulhos e todos os trabalhadores de São Paulo

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No último dia 27 de março tivemos a presença da grande companheira Luciana Genro no RE (Reunião dos Representantes de Escola) da Subsede da Apeoesp Guarulhos e região.

Além de ter sido Deputada Estadual por dois mandatos e Federal por outros dois, Luciana ajudou a fundar o Emancipa – rede de cursinhos populares totalmente gratuita que luta por um outro tipo de educação, sobretudo a pré-universitária -, foi a primeira líder da bancada do Partido Socialismo e Liberdade (PSoL), partido que ajudou a fundar após ser expulsa do PT por votar contra a Reforma da Previdência (aquela paga com dinheiro do mensalão) e cobrar coerência desse partido que em 2002 não estava do lado dos trabalhadores, mas sim dos banqueiros, empreiteiros e toda classe patronal.

Luciana Genro e o PSoL reafirmam de que lado estão: o dos trabalhadores! Ao estar numa reunião com mais de 200 professores para debater conjuntura nacional e internacional, as crises, além de, claro, pautas específicas da carreira docente, Luciana parafraseando o velho Marx afirmou que “temos que estar todos juntos! Somente com todos os trabalhadores lutando, poderemos derrotar esse sistema tão injusto”.

Sistema esse que quer excluir não só os trabalhadores, mas também os alunos. Luciana mudou-se de Porto Alegre para São Paulo, pois afirmou que aqui nesse estado está o centro da contradição. Tanto na cidade de São Paulo (onde também participou de algumas reuniões com professores) como em Guarulhos os prefeitos são petistas e sabemos perfeitamente, isto é, pela experiência no governo federal e tantos anos de prefeitura petista em Guarulhos, que estes governos não são um governo de esquerda.

Como professores, temos uma grande tarefa que não é só a luta pelo piso, pela carreira, pelo fim das categorias (a tão chamada de “sopa de letrinhas”), pelo reajuste já, mas a luta contra o Pimesp. Sistema que exclui cada vez mais o aluno provindo da escola pública e a transforma em dados, números “para inglês ver”. Já temos a adesão de Luciana Genro e seu partido, que aliás em 13 de março desse ano fez uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa de São Paulo através do mandato do Professor Carlos Giannazi contra mais esse decreto do nosso excelentíssimo Secretário da Educação de São Paulo Herman Voorwald.

A presença da deputada do PSoL – que para nós seria um ótimo nome para as corrida presidencial do ano que vem – nos dá orgulho de ter esse partido como parceiro nas lutas, pois o Educadores Juntos também acredita que onde estiver o trabalhador lá deveremos estar. Somos uma maioria que, se nos unirmos podemos mudar o mundo!

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Marco Feliciano atrapalha nossas aulas

por Bruno Magalhães*
 
Manifestação contra o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, deputado Marcos Feliciano (São Paulo, março de 2013)
 
 
O deputado estadual e pastor Marco Feliciano (PSC-RJ) tem atrapalhado minhas aulas. Ele não faz idéia que eu existo, mas ao mesmo tempo não larga do meu pé. Nos últimos dias, toda vez que entro em uma sala de aula para ensinar História, seu fantasma aparece pra mim, dá uma risadinha e diz: “quis estudar, se deu mal!”.
Não acredito em fantasmas nem nada disso, mas não tiro isso da cabeça. Levei longos anos pra me formar em História, e no caso da História Antiga, quase endoideci pra tentar entender como se monta um quebra-cabeça onde falta a maioria das peças. E meus alunos de 1º ano, jovens de 15 ou 16 anos, compartilham comigo dessa crise na tentativa de entender as primeiras civilizações, das quais sobrou tanto e ao mesmo tempo tão pouco.
Pra além do debate entre evolucionismo e criacionismo (que é óbvio do ponto de vista científico), nos cabe estudar o que a humanidade anda fazendo pelo planeta nesses anos de ocupação.  Não tenho a pretensão de explicar o sentido da vida humana, nem o que acontece depois da morte, não faço idéia de nada disso, nossa humilde tarefa é olhar as evidências que existem sobre o passado e revirá-las pra entender o que teria acontecido. É um trabalho simples e que infelizmente paga mal.
O deputado-pastor é membro da Assembléia de Deus, igreja pentecostal fundada no Brasil por missionários escandinavos, que possui pastores como Silas Malafaia, Samuel Ferreira e tantos outros que tem se destacado contra os direitos das mulheres e dos homossexuais.  Seus membros defendem a submissão das mulheres aos homens, vêem a homossexualidade como um desvio pecaminoso e acreditam literalmente em Adão e Eva, apesar das evidências científicas. Alguns anos atrás, as mulheres dessa igreja eram proibidas inclusive de se depilar, cortar os cabelos ou usar calças.
Mas a Assembléia de Deus não é o problema, toda religião tem o direito de “achar” o que quiser. Não me importa se o transe religioso é mediúnico, fruto de um orixá, ou se é originado no “Espírito Santo”, cada um pode fazer o que quiser em seu terreiro ou igreja. Meu problema é o fantasma de Marco Feliciano.
Porque? Por que Marco Feliciano não é só um pastor. Ele é também deputado, e como deputado-pastor ele pretende adequar o mundo segundo a visão de sua igreja, que representa menos de 5% da população brasileira.  Esse pastor, eleito deputado, tornou-se presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, cujo objetivo é justamente debater e fiscalizar questões referentes aos direitos humanos.
Aí que está o problema. Uma das tarefas dessa Comissão é a preservação e proteção das culturas populares e étnicas do País. Logo, a “preservação” e proteção” das culturas de origem africana também estão a cargo desta comissão. Agora vejam o que disse Marco Feliciano sobre a África no Twitter:
 
“Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato. O motivo da maldição é a polêmica. Não sejam irresponsáveis twitters rsss”
 
Primeiro não é fato que “africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé” (pergunte para algum paleontólogo). Em segundo lugar, a “maldição da África” vem na verdade dos séculos de colonialismo e imperialismo, quando europeus pilharam e repartiram o continente africano em nome do “deus” cristão ou da “civilização” ocidental, um processo bem mais recente que aqueles retratados na Bíblia.
Pior ainda, o sujeito é contra a “polêmica”. Como se ensina ou se estuda História sem polêmica?
E é por isso que Marco Feliciano me atrapalha. Me mato pra tentar explicar e debater os processos históricos e o cara me fala uma asneira dessas, sem ter lido qualquer livro sério sobre o assunto.  Diz que os problemas da África são fruto de uma “maldição” e ainda por cima ganha um dinheiro que eu nunca vou ver.
Tá lá escrito em Gênesis (capítulo 9, versículos 18-29): Depois do dilúvio, Noé planta uma vinha, bebe do vinho, fica bêbado e tira a roupa em plena tenda. Aí seu filho Cam acha graça e conta para seus irmãos. Depois que se recupera, Noé fica sabendo do vexame e amaldiçoa a linhagem de Cam, que mitologicamente daria origem aos africanos.
Um deputado usar esse mito pra explicar a situação do continente africano me faz repensar a opção de ser professor de História. Faço o que? Apresento algumas evidências? Convido ele pra uma aula? Peço pra ele assistir mais Discovery Channel? Acho que nada disso adiantaria, o papel que ele exerce é muito mais lucrativo.
Parece absurdo, mas o cara ainda é da base política do governo Dilma, e seu partido escolheu esse cargo porque partidos de “esquerda”, como PT e PCdoB, simplesmente não deram importância à Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Talvez os poucos recursos destinados à Comissão digam algo sobre isso.
É bom notar que Marco Feliciano não representa, graças a Deus, a maioria dos evangélicos, e diversas igrejas protestantes históricas têm severas críticas aos seus métodos e crenças. Em mais de uma vez, seu proselitismo místico foi desmascarado por suas próprias contradições, demonstradas fartamente em vídeos (dêem uma olhada nesse exemplo http://www.youtube.com/watch?v=iUscavZL55w).
Enfim, Marco Feliciano me assombra, e enquanto ele for deputado vou me preocupar com o ensino da História, seja Antiga ou Contemporânea. Se você não o conhece, pesquise sobre o honorável deputado, e veja por você mesmo. Deus nos proteja!
 
 
*Bruno Magalhães, formado em História pela Universidade de São Paulo, é professor efetivo e leciona a disciplina de História na Escola Estadual Prof. Carlos Aires no Grajaú, Diretoria de Ensino Sul. (post originalmente publicado em http://historiaprofbruno.blogspot.com.br/2013/03/marco-feliciano-atrapalha-minhas-aulas.html)

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